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questão 980
por: Orson
Peter Carrara
É editor, palestrante e escritor, reside em
Matão-SP.
Possui 7 livros publicados e um no prelo, sendo que 3 estão esgotados.
Mantém o site www.orsoncarrara.rg3.net - e-mail: orsonpeter@yahoo.com.br
segunda-feira,
8 de março, 2010 01:00
Os espíritas vivemos a estudar, a ler, a refletir
sobre os ensinos da Doutrina Espírita e vez por outra nos surpreende
a clareza e lógica de determinadas questões. Parece que
não havíamos notado sua essência antes. É que
o amadurecimento e a experiência fazem perceber depois o que lemos
antes várias vezes, embora o texto ali estivesse desde 1857...
É o que ocorre com a questão 980, entre outras, de O Livro
dos Espíritos. Referida questão aborda a união dos
espíritos, em laços de simpatia, como fonte de uma das maiores
alegrias. Diz a resposta que “... Eles formam, no mundo inteiramente
espiritual, famílias com o mesmo sentimento, e é nisso que
consiste a felicidade espiritual, como no teu mundo vos agrupais em categorias,
e sentis um certo prazer quando vos reunis. A afeição pura
e sincera que experimentam, e da qual eles são o objeto, é
uma fonte de felicidade, porque lá não há falsos
amigos, nem hipócritas.”
Embora a questão se refira ao mundo espiritual, ela destaca o prazer
dos encarnados sintonizados na afeição da sinceridade e
da amizade. Ora, isso nos faz pensar...
Convido o leitor a recordar-se dos eventos espíritas, dos encontros
fraternos, dos ambientes das autênticas reuniões espíritas
ou das harmoniosas convivências dos diálogos. Não
são eles fonte de verdadeira felicidade na vida do movimento espírita
e que a muitos muito alimenta?
Sim, perceba, amigo leitor, o bem que nos faz a convivência e participação
em eventos espíritas; o comparecimento nas palestras onde nos encontramos
com queridos irmãos; as viagens recheadas de diálogos com
companheiros; as longas conversas nas madrugadas após hospedarmos
visitantes ou estarmos hospedados nas casas de nossos confrades; o planejamento
de encontros e suas providências; as cartas, e-mails e telefonemas
trocados para falar da Doutrina e seu movimento. Ora, isto é felicidade!
Que prazer incomparável! Pelo menos é felicidade possível
de ser construída e vivida, quando a fraternidade está presente.
Este certo prazer quando vos reunis, conforme ensinam os Espíritos,
é realmente incomparável e deixa de existir quando comparece
a vaidade, o desejo de projeção ou imposição,
ou o orgulho e seus desastrosos desdobramentos. Mas, quando o ideal espírita
prevalece, este prazer é real e alimenta nossa disposição
e perseverança nas tarefas espíritas, pois que a convivência
fraterna de irmãos unidos fortifica e consolida a teoria aprendida
no estudo. O que ocorre é que se experimenta na pele o que ensina
a teoria.
Pensemos bem: quais são os momentos de maior prazer que experimentamos
ou guardamos da vida?
Claro que são os da convivência em família. Mas e
quais surgem depois? Ah! para quem vive a extraordinária beleza
dos ensinos espíritas, esses momentos estão sim na convivência
com os irmãos do ideal espírita. Nas lutas cotidianas, esses
momentos preciosos nos alimentam, sustentam e indicam a perseverança
como único caminho de sustentação do equilíbrio.
Existem lutas, divergências? Sim, existem. Mas, se buscarmos os
amigos sinceros, verdadeiros, estaremos amparados para superar esses obstáculos
que na verdade são aparentes, pois que se escondem na fragilidade
de ligações sem sinceridade. Quando há afeição
sincera, tudo se transforma...
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