| FIAÇÃO
Humaitá será reaberta e vai
dividir áreas da Prefeitura e USP
Ligação
entre elas será feita por túnel com capacidade para
dois veículos simultâneos e altura para ônibus e caminhão.
sexta-feira,
12 de março, 2010 10h00
Tão
logo seja efetivada a doação oficial de áreas da
antiga Cia. Jauense Industrial (Fiação) para a Prefeitura
de Jaú e USP (Universidade de São Paulo), para instalação
de unidade da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) na
cidade, a Rua Humaitá será reaberta, dividindo as áreas
do Município e da universidade. Para manter a ligação
entre elas, entretanto, a Prefeitura deverá construir um túnel
no local.
De acordo com documento assinado pelo procurador jurídico Paschoal
José Dorsa, da USP, dirigido ao procurador-chefe Gustavo Ferraz
de Campos Mônaco, o prefeito Osvaldo Franceschi Júnior (PV)
se comprometeu “a viabilizar tal obra”. A sugestão
feita no documento é de um túnel “com passagem simultânea
para dois veículos e altura inclusive para os de serviços
(ônibus e caminhões), possibilitando uma melhor adequação
ao sistema de segurança”. Inicialmente, a idéia era
fazer uma passarela – a rua será reaberta por fazer “parte
do sistema viário do Município”, segundo alegação
da Prefeitura.
Governador
em Jaú
O mesmo documento da Consultoria Jurídica da USP,
datado de 8 de fevereiro, também informa que a escritura de doação
das áreas ficará “a cargo da doadora” (Grupo
Camargo Corrêa), e que uma minuta deveria ser encaminhada para análise
da universidade, antes de ser assinada. A previsão é que
isso ocorra ainda neste mês de março, com realização
“de grande evento” que contaria com presença do governador
José Serra (PSDB), do reitor da USP, do diretor da Esalq e do prefeito
do campus de Piracicaba.
Para finalizar, o documento enviado ao procurador chefe da USP ressalta
que, “sendo aceita a doação” das áreas
da Fiação à universidade e à Prefeitura, “a
tramitação dos procedimentos deverá ser ultimada
em caráter de urgência”, dada a necessidade de serem
adequadas as agendas das autoridades que estarão presentes à
cerimônia de assinatura da escritura.
Todos esses detalhes foram tratados em definitivo durante reunião
ocorrida em 5 de fevereiro na sede administrativa do Grupo Camargo Corrêa,
na Rua Funchal, em São Paulo. Além dos executivos da empresa,
estiveram presentes o prefeito de Jaú e assessores, representante
da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios da Secretaria
da Agricultura do Estado de São Paulo e o procurador jurídico
da USP, Paschoal Dorsa.
Despacho
governamental
Secretário municipal da Agricultura e Abastecimento,
Celsinho Pacheco acompanha o processo de doação das áreas
da Fiação e a cessão, pelo Estado, da área
onde será instalada a Estação Experimental de Agroenergia
de Jaú, às margens da Rodovia Jaú-Bariri, onde funciona
atualmente a APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios).
Ele é primo do secretário estadual da Agricultura, João
de Almeida Sampaio Filho, responsável pela cessão.
Segundo Pacheco, há expectativa de que o governador Serra dê
despacho favorável e faça encaminhamento à reitoria
da USP, determinando a implantação de unidade da universidade
em Jaú, antes de deixar o governo, no início de abril. “Acreditamos
que ele faça isso e anuncie publicamente quando participar da cerimônia
de doação das áreas da Fiação”,
informou o secretário. Ele também acha que a documentação
final para doação das áreas fique pronta nos próximos
dias.
“Como são vários procedimentos que fazem parte desse
processo da vinda da USP-Esalq pra Jaú, é preciso que tudo
caminhe junto, de forma sincronizada”, explicou Pacheco. O que ficou
acertado entre o Grupo Camargo Corrêa, o Município, a USP
e o Estado, através da Secretaria Estadual da Agricultura, é
que na área da Fiação funcionarão os cursos
universitários da Esalq (o primeiro deles será o de Agroenergia)
e, na área da APTA, a Estação Experimental de pesquisas
– uma diretamente ligada à outra.
Áreas
da Prefeitura e USP
terão entradas distintas
A Rua Humaitá foi interrompida pelo chamado “murão
do Camargo” na década de 1970, quando as casas que haviam
ali foram desapropriadas pela Prefeitura e a área doada para ampliação
da Cia. Jauense Industrial. Na época, a empresa empregava em torno
de 4 mil trabalhadores, e era a maior empregadora do município.
Porém, foi desativada completamente no início dos anos 2000,
até que surgiu o projeto de implantação no local
do Pólo Empresarial Jauense, como tentativa de atrair empresas,
gerando emprego e renda para o município. Mas essa iniciativa também
naufragou.
A última proposta formulada pelos proprietários da área
foi a de doar 40 mil m2 à Prefeitura, 100 mil m2 à USP e
o restante, correspondente a mais 340 mil m2, deverá ser comercializado
– é possível que mais 14 mil m2 sejam incorporados
à área que ficará com o Município, que serão
utilizados como estacionamento, segundo solicitação final
feita pelo prefeito de Jaú.
Com a reabertura da Humaitá, a rua vai dividir as áreas
do Município (à esquerda) e da universidade (à direita)
e seguir até a avenida margeando a Rodovia do Contorno. A entrada
para o Centro de Convenções que a Prefeitura pretende implantar
no local (onde é feita hoje a Jaú Trend Show), ficará
ao lado da portaria atual da Fiação, na Avenida Frederico
Ozanan; a entrada para a unidade da USP-Esalq ficará na pista,
próximo da alça rodoviária sobre o Rio Jaú.
Apesar desses detalhes já terem sido acordados entre as partes,
ainda são passíveis de modificações, segundo
apurou a reportagem do Jornal Gente.
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