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Polícia
prende 4 envolvidos com “tribunal”
que julgava endividados com o tráfico em Jaú
O ponto de partida foi um assassinato em fevereiro, na Vila Industrial. A polícia descobriu que o autor do crime matou para não morrer. Inquérito tem mais de 100 páginas.
Depois de seis meses de trabalho a DIG (Delegacia de Investigações
Gerais) desvendou o assassinato de Antonio Marcos Braga, 36, que morava em
Sumaré, na região de Campinas. Ele foi morto com dois tiros
de revólver na noite de 27 de fevereiro, na Vila Industrial de Jaú,
durante um acerto de contas de uma dívida com drogas. A versão
inicial dada à polícia pelo autor dos disparos, Irineu Tadeu
Cunha, 32, foi de que os tiros teriam sido para se defender de uma tentativa
de assalto. No entanto, as investigações chefiadas pelo delegado
Edmilson Bataier revelaram uma surpresa: Irineu teria matado Antonio Marcos
em legítima defesa sim, mas para escapar do julgamento em um pseudo
tribunal realizado por traficantes vinculados à organização
criminosa PCC.
Entre mais de 100 páginas de relatórios, depoimentos e até
escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o delegado Bataier
apurou que Antônio Marcos fora incumbido de receber uma dívida
de Irineu com os traficantes que lhe forneciam drogas. “Percebendo que
seria julgado e condenado, ele entrou em luta com Antonio Marcos, tomou-lhe
a arma e o feriu com dois tiros”, revela o policial. O homem acabou
morrendo na porta da casa onde o “tribunal” se reuniria, na rua
Benjamin Constant, na Vila Industrial.
Outros já
foram julgados em Jaú
Bataier está convicto de que Irineu agiu em legítima defesa.
“Os elementos colhidos na investigação não me deixam
dúvidas que ele matou para não morrer” afirma o delegado,
que diz ter provas concretas que a facção criminosa mandou representantes
de Sumaré para receber a dívida ou julgar, condenar e executar
Irineu.
O pior é que este caso não seria o primeiro. Bataier diz que
tem depoimentos seguros de que pelo menos outras quatro pessoas teriam sido
submetidas ao “tribunal” dos traficantes e condenadas a agressões.
“Inclusive na mesma noite do crime, uma moça também seria
julgada aqui em Jaú”, conta o delegado.
Com provas que a polícia considera incontestáveis, quatro homens
ligados ao tráfico foram presos pela DIG esta semana. Os nomes estão
sendo mantidos em sigilo porque as investigações continuam e
outros envolvidos poderão ser presos.