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Polícia edição 99 - 7/11/2008

Polícia edição 95 - 17/10/2008

Polícia prende 4 envolvidos com “tribunal”
que julgava endividados com o tráfico em Jaú

O ponto de partida foi um assassinato em fevereiro, na Vila Industrial. A polícia descobriu que o autor do crime matou para não morrer. Inquérito tem mais de 100 páginas.

Depois de seis meses de trabalho a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) desvendou o assassinato de Antonio Marcos Braga, 36, que morava em Sumaré, na região de Campinas. Ele foi morto com dois tiros de revólver na noite de 27 de fevereiro, na Vila Industrial de Jaú, durante um acerto de contas de uma dívida com drogas. A versão inicial dada à polícia pelo autor dos disparos, Irineu Tadeu Cunha, 32, foi de que os tiros teriam sido para se defender de uma tentativa de assalto. No entanto, as investigações chefiadas pelo delegado Edmilson Bataier revelaram uma surpresa: Irineu teria matado Antonio Marcos em legítima defesa sim, mas para escapar do julgamento em um pseudo tribunal realizado por traficantes vinculados à organização criminosa PCC.
Entre mais de 100 páginas de relatórios, depoimentos e até escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o delegado Bataier apurou que Antônio Marcos fora incumbido de receber uma dívida de Irineu com os traficantes que lhe forneciam drogas. “Percebendo que seria julgado e condenado, ele entrou em luta com Antonio Marcos, tomou-lhe a arma e o feriu com dois tiros”, revela o policial. O homem acabou morrendo na porta da casa onde o “tribunal” se reuniria, na rua Benjamin Constant, na Vila Industrial.

Outros já foram julgados em Jaú

Bataier está convicto de que Irineu agiu em legítima defesa. “Os elementos colhidos na investigação não me deixam dúvidas que ele matou para não morrer” afirma o delegado, que diz ter provas concretas que a facção criminosa mandou representantes de Sumaré para receber a dívida ou julgar, condenar e executar Irineu.
O pior é que este caso não seria o primeiro. Bataier diz que tem depoimentos seguros de que pelo menos outras quatro pessoas teriam sido submetidas ao “tribunal” dos traficantes e condenadas a agressões. “Inclusive na mesma noite do crime, uma moça também seria julgada aqui em Jaú”, conta o delegado.
Com provas que a polícia considera incontestáveis, quatro homens ligados ao tráfico foram presos pela DIG esta semana. Os nomes estão sendo mantidos em sigilo porque as investigações continuam e outros envolvidos poderão ser presos.