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Ponto final no desperdício
por: Hailton Medeiros
O debate sobre o livre comércio aos domingos e feriados em Jaú trouxe de volta a discussão de uma outra necessidade: a da criação de um plano de turismo para o município. Promessa política repetida por diversos candidatos a prefeito ao longo dos anos, tudo, entretanto, não passou até hoje de ‘papo furado’ em busca de voto. Uma pena.
Quem embarca em ônibus, vans ou automóveis particulares e viaja centenas de quilômetros para comprar nos shoppings de calçados da cidade, leva para casa, além dos sapatos, uma única imagem de Jaú: justamente a desses centros comerciais. A maioria desses milhares de pessoas sequer chega a entrar na cidade. Simplesmente vem, compra e vai embora. Lamentável.
Enquanto outras cidades se esforçam para desenvolver uma atração capaz de chamar a atenção dos visitantes, há anos que Jaú conquistou seu público, mas desperdiça a oportunidade de faturar com ele. De que adianta nos gabarmos de ter casarões históricos, uma Igreja Matriz centenária e lindíssima, um dos únicos heróis nacionais (que é o aviador João Ribeiro de Barros), a exuberante Mata do Botelho, a capela às margens do Rio Tietê onde o único santo brasileiro, Frei Galvão, operou um dos seus milagres reconhecidos pelo Vaticano, se não aproveitamos nada disso?
Passou da hora de deixar de conversa fiada e partir para a prática. Precisamos justamente disso: pessoas práticas, que façam as coisas acontecerem. Quando tivermos isso, teremos um plano de turismo de verdade e não perderemos mais nenhuma oportunidade. Quem tem que puxar a fila é o Poder Público, que dispõe dos recursos necessários e tem a capacidade de mobilizar as pessoas e segmentos interessados no assunto. É preciso ter vontade de fazer – simples assim.
Traçados os roteiros turísticos, será a vez de cuidar da infraestrutura da cidade para o turismo e de sua divulgação. Isso passa por campanhas de marketing, mais hotéis, restaurantes, transporte adequado, profissionais treinados para recepcionar e orientar os turistas etc.
Outra necessidade será mudar a mentalidade da cidade. Se alguém vem de longe para comprar sapato aqui, nada mais natural do que ver uma fábrica-modelo em funcionamento, por exemplo. Nessa mesma linha, restaurantes, hotéis, lanchonetes, taxistas, condutores de vans e outros, todos terão de estar preparados para acolher os turistas. Museus, quiosques de atendimento aos turistas e outros dispositivos culturais que contam a história da cidade terão de funcionar inclusive aos domingos e feriados. E por aí vai.
O resultado dessa mobilização será um maior faturamento para todos. Quanto mais a cidade for divulgada e tornar-se conhecida aí fora, mais gente virá para cá. Gente que vai gastar aqui. Não há nenhuma novidade nisso: a indústria do turismo é a que mais cresce no mundo, a que mais movimenta recursos financeiros, a que mais emprega e gera renda. Com potenciais reconhecidos, só faltava Jaú não ter essa consciência.