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O caso da praça,
prostitutas, travestis
e vendedores de drogas
por: Hailton Medeiros
Há alguns meses, cruzar o Jardim de Baixo, no centro da cidade, era uma tarefa arriscada. Tanto à noite quanto de dia. Dezenas de pessoas foram assaltadas por pivetes que literalmente haviam tomado conta da praça; as queixas ao plantão policial eram constantes. O local também tinha virado ponto de tráfico e consumo de drogas, constituindo-se numa vergonha para o jauense de bem.
Ante as reclamações da população e a pressão exercida pela imprensa, particularmente pela Rádio Piratininga e o Jornal Gente, a polícia passou a agir no local. A simples presença física dos policiais militares na praça afugentou os ladrões. Bastaram algumas abordagens. Hoje, vez por outra uma viatura da PM fica plantada no interior do Jardim de Baixo, garantindo ordem no local.
O problema agora está localizado na praça do Maria Luiza, onde prostitutas e travestis fazem ponto há alguns anos. Ultimamente, porém, a situação se agravou: o número de garotas e garotos de programa aumentou muito e o movimento de carros com pessoas à procura dos serviços sexuais deles, também. Isso sem falar que, segundo os moradores, o local virou ponto de tráfico de drogas.
Poucas das prostitutas e dos travestis são de Jaú. A maioria vem de cidades vizinhas, como Pederneiras e Bauru, e até de mais longe, como Marília e Tupã. Chegam de ônibus logo cedo e passam o dia na cidade fazendo programas sexuais. Quando o “movimento” está bom, passam a noite entre barzinhos e motéis. Comenta-se que os pontos de prostituição costumam ter preço, que é para garantir a rentabilidade do “negócio”.
Os moradores dos arredores da praça e dos outros pontos freqüentados pelas prostitutas e travestis perderam a liberdade. Se vão à praça ou saem às ruas na vizinhança, correm o risco de ser confundidos com elas; quando não, são confundidos com as pessoas que procuram por seus serviços ou até mesmo por drogas. Crianças convivem com um quadro deprimente na frente de suas casas. Sem falar das baixarias que sempre ocorrem nesse meio: discussões, xingamentos, palavrões, roupas que deixam expostas as partes íntimas e outras cenas degradantes. Não deve ser fácil.
O que fazer, se ninguém pode impedir uma pessoa de ficar na praça (desde que sem molestar ninguém), à espera de clientes para os seus serviços sexuais? A princípio, o mesmo que se fez no Jardim de Baixo: tornar a presença policial uma constante. Certamente as prostitutas, travestis, vendedores de drogas e seus clientes não vão querer dividir o mesmo espaço com os policiais. Num piscar de olhos, a praça voltará a ser um lugar tranqüilo, freqüentado pelos moradores da vizinhança.
Ocorre que não há policiais suficientes na cidade para garantir a ordem em todos os lugares. Não é de hoje que Jaú sofre com um contingente policial abaixo do ideal para o tamanho da sua população. Se tiver polícia no Jardim de Baixo e na praça do Maria Luiza, por exemplo, vai faltar em outros lugares. E não se iluda: se os atuais “donos” da praça saírem de lá, vão fazer ponto em outro canto, exigindo a mesma providência policial.
A saída é fazer o que os nossos políticos tinham que ter feito há anos e não fizeram: exigir melhor estrutura policial para a cidade. Estatísticas mostrando que temos uma cidade segura são uma tremenda hipocrisia, visto que passam a falsa idéia às autoridades superiores de que não precisamos de mais homens e viaturas para a segurança pública. Vereadores e prefeito devem se unir e bater à porta do secretário da Segurança Pública e do governador do Estado. Chega de fazer de conta que não há problemas. É hora de mostrar que Jaú tem força política. Ou não.