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Crise: mais psicológica do que real
por: Hailton Medeiros
O Jaú Shopping inaugurou loja-âncora na quinta-feira (26) e, de lá para cá, experimentou um movimento incomum. Quinta, sexta, sábado, domingo e ontem o pátio de estacionamento não parou mais vazio. Até a área vizinha, ainda na grama, ficou lotada de veículos; o mesmo aconteceu com as avenidas Antônio Prado Lyra, atrás do shopping, e Dr. Quinzinho, na frente.
Quem se aventurou no shopping no fim de semana teve de esperar mesa na praça de alimentação e trombou com gente num vai e vem frenético em todos os setores. O detalhe que chamou mais a atenção é que tudo aconteceu num fim de mês, normalmente considerado ruim para o comércio – os salários serão pagos apenas na semana que vem.
Mas o que houve no shopping não foi pontual. Um giro de carro pela cidade, à noite, revelou que barzinhos, lanchonetes, choperias e restaurantes estavam apinhados de gente. De dia foi a mesma coisa, com supermercados lotados e filas nos caixas. No domingo, hora do almoço, era acentuado o vai e vem de carros na porta de um restaurante nos altos da Rua Rui Barbosa, por exemplo, apanhando os pratos embalados para viagem; no salão, o movimento acelerava os passos dos garçons e exigia até o dono para anotar os pedidos.
No sábado, um amigo contou que foi a um desses magazines da cidade para efetuar a troca de uma mercadoria. Pegou fila. Na frente dele, dois casaizinhos. Pois o cara surpreendeu-se quando viu a compra de ambos: TVs de LCD, uma de 40 e outra de 32 polegadas. Produtos que nem todo mundo pode comprar, mas que estava saindo “uma atrás da outra”, contou ele.
O que se viu em Jaú ocorreu também na região. No sábado da semana passada, em Bauru, quem foi ao zoológico, por exemplo, surpreendeu-se com todas as vagas do estacionamento ocupadas – e olha que é grande! Curioso é que a maioria dos veículos tinha placas de cidades longínquas, de Minas e do Paraná, entre outras, e até ônibus de excursão.
Quem se atreveu a pernoitar na cidade e percorreu os hotéis, não acreditou ao saber que havia poucas vagas disponíveis, por conta dos eventos realizados em Bauru. À noite, nos barzinhos mais tradicionais, havia filas de espera de 1h a 1h30. Uma loucura!
Se você sai nas estradas e tem carro à beça pra lá e pra cá, se vem um fim de semana prolongado e as praias ficam entupidas, se as lojas estão vendendo mercadorias caras, se o shopping inaugurou uma loja e congestionou de clientes, se os barzinhos e restaurantes estão sempre cheios, e se até carro está vendendo como nunca, onde está a crise?
Óbvio que há um reflexo do estouro da economia norte-americana por aí, é inegável, a mídia nos mostra isto diariamente. Porém, também parece certo que os alvos atingidos eram os mais visíveis. Aqui, mais embaixo, no dia-a-dia do cidadão comum, o problema tem se revelado muito mais psicológico do que real. A vida seguiu seu curso e ninguém deixou de fazer o que sempre fez.