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SAEMJA: futuro dependerá do passado

por: Hailton Medeiros

O que houve de fato com o SAEMJA, para praticamente aniquilar uma autarquia que, num passado não tão distante, chegou inclusive a socorrer financeiramente a Prefeitura?
A resposta a esta e várias outras perguntas poderá surgir do trabalho de uma empresa de consultoria especializada em levantamentos financeiros, contábeis e contratuais. Ela está sendo contratada pelo SAEMJA para escarafunchar a vida pregressa da autarquia, e o contrato já estaria em fase de elaboração. Estima-se que a auditoria levará pelo menos um mês.
A informação é da superintendente do serviço de água e esgoto do município de Jaú, Cláudia Baccaro. Antecipando-se à própria Câmara Municipal, onde deverá apresentar o resultado do tal levantamento, ela confirmou que “tudo o que entra no Saemja atualmente é usado para mantê-lo, sem nenhuma capacidade de investimento”.
Falando a grosso modo, o SAEMJA foi lucrativo e investia constantemente na melhoria dos serviços e na renovação da frota e dos equipamentos até o final de 2000. Daí em diante começou a apresentar déficits, perdeu a capacidade de investir e chamou a atenção da sociedade com a sua agonia econômico-financeira.
No primeiro baque público da autarquia foi substituído o superintendente, até então o pai do ex-prefeito Sanzovo. A duras penas os balancetes foram equilibrados, mas nunca mais o SAEMJA se recuperou plenamente – a ponto de surgirem boatos do interesse do Poder Público em privatizá-lo.
A outra evidência da doença que atinge as finanças da autarquia veio recentemente, já na atual administração, quando se divulgou a dívida de quase R$ 26 milhões com a Sanej (Saneamento Jaú Ltda), empresa responsável pelo tratamento do esgoto. O novo governo renegociou o débito para pagá-lo em quatro anos, sem juros, e determinou a retomada das obras para tratar 100% os esgotos (atualmente, estima-se que apenas 75% sejam tratados na cidade).
Cláudia Baccaro defende que “o levantamento situacional” do SAEMJA seja feito “ano a ano, documento por documento”. Ela depende disso até para tomar decisões e pautar sua gestão à frente da autarquia. “Posso dizer, hoje, que o SAEMJA caminha, porém sem nenhuma saúde financeira”, resumiu. “Tudo que penso em fazer preciso buscar verba fora da autarquia”.
Num primeiro plano, Baccaro admite que o baque do serviço de água e esgoto veio com a responsabilidade de honrar os contratos de terceirização do tratamento do esgoto e da nova estação de tratamento de água, a ETA 2. “Mas preciso saber mais para falar com propriedade sobre o assunto, por isso estamos contratando esta empresa de consultoria”, justificou.
Saber o que houve com o SAEMJA no passado será fundamental para manter a autarquia no futuro. Salvar a outrora “menina dos olhos” da administração municipal deve ser tarefa primordial do novo governo, afastando assim os fantasmas da privatização. Para quem está de olho no serviço de água de Jaú, nada pode ser melhor que a quebradeira do SAEMJA; para a população, entretanto, este, como todo serviço essencial, não deve (e não pode) sair do controle público.