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Vitória de Chaves vira o jogo no DEM
por: Hailton Medeiros
Em política nada é definitivo. A bombástica notícia da filiação-surpresa da 1ª dama Caroline Franceschi ao DEM, dia 14/2, pelas mãos do presidente estadual Gilberto Kassab e sem que o diretório municipal soubesse, foi revertida agora com o anúncio de que o empresário Hamilton Chaves, primo do ex-prefeito Sanzovo (PSDB), continuará no comando da legenda na cidade.
Havia toda uma expectativa nos meios políticos de que Caroline fosse anunciada nova presidenta do DEM de Jaú a qualquer momento. No caso, como a comissão provisória do partido estava vencida desde dezembro de 2008, segundo comentários, Chaves seria destituído da função. Em entrevista a este jornal, o empresário chegou a dizer que se isso fosse concretizado, migraria possivelmente para o PSB de Orlando Fregolente. Naquele instante, parecia dar o caso por perdido.
Mas em política as coisas mudam num piscar de olhos. Ontem, após entrevista coletiva no escritório do DEM, integrantes do partido abraçavam-se em comemoração à vitória de Chaves. Vitória que soou como derrota para o grupo do atual prefeito e, em especial, para a 1ª dama – embora seja verdade que ela nunca tenha falado, pelo menos publicamente, que disputava o comando do partido em Jaú.
Políticos ligados ao ex-prefeito Sanzovo também festejaram. Chaves, afinal, sempre fez parte do grupo; o DEM por sua vez, legenda substituta do extinto PFL, foi aliado fiel da administração passada. Logo, uma vitória de Chaves foi também uma conquista para os adversários do atual prefeito Osvaldo Franceschi Júnior, do PV. Por sinal, em política também é sempre assim: há disputa em tudo e para tudo.
Mas a batalha do DEM não parece encerrada – o assunto está fervilhando nos bastidores políticos. Pessoas que acompanharam Caroline a Araraquara, SP, quando de sua filiação ao partido, garantem ter ouvido de Kassab que ela seria a nova “estrela” da legenda em Jaú. Quem foi a São Paulo em recente reunião de Osvaldo e Caroline com Kassab, afirma que ele acenou com mudança no comando do DEM na cidade. Osvaldo e a mulher, porém, não disseram uma só palavra sobre o assunto.
Naquela ocasião foram feitas fotos com o prefeito Kassab, chefão do DEM, da mesma forma como foi feito essa semana com Hamilton Chaves. Logo, pela lógica, conclui-se que neste caso foto com um e com outro lado não está provando muita coisa. O que está valendo, de fato, não é foto, mas sim a palavra de Chaves de que continua sendo o mandatário do DEM em Jaú. Afirmação feita em cima das garantias dadas por Kassab, da mesma forma que gente do outro lado afirma ter ouvido também.
Confusões desse tipo são comuns em política. Basta ver o que ocorre atualmente com o PMDB de Jaú, dividido em dois grupos desde junho do ano passado, onde os dois afirmam deter o apoio do presidente estadual Orestes Quércia. Este, por sua vez, fala bem dos dois e não pende publicamente para nenhum dos lados. Pelo visto, é o mesmo que está acontecendo agora com o DEM.
Disputas dessa natureza, tão comuns na política, justificam-se pelo sistema eleitoral brasileiro. Pela representatividade no Congresso Nacional, cada partido tem um determinado tempo de propaganda eleitoral. O DEM, que não é pequeno, tem tempo considerável. Logo, está explicado o interesse pelo comando dele. Quem sabe o dia em que todos os partidos com candidatos majoritários tiverem o mesmo tempo de propaganda, esse tipo de competição termine. Seria um passo e tanto para tornar os partidos e os políticos mais ideológicos e menos fisiológicos.