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Mar de encrencas
por: Hailton Medeiros
O prefeito Osvaldo declara a este jornal que a administração passadaww não deixou nenhum centavo em caixa para a correção das margens do Córrego dos Pires, obra orçada em R$ 5 milhões. Alertada há anos para o problema e ré em ação judicial proposta pelo Ministério Público em setembro último, a Prefeitura não fez sequer o que estava previsto para ser feito até dezembro do ano passado. Quem dera, então, o restante exigido pelos promotores de Justiça.
Por conta da necessidade da obra, da urgência imposta pelas cobranças, do risco que corre a população que mora ou transita próximo ao córrego e da absoluta falta de recursos, os integrantes do atual governo estão feito loucos, literalmente, correndo atrás de dinheiro. Esta semana estiveram em Brasília, no Ministério das Cidades, para cobrar a verba prometida e ainda não liberada ao Município. Pressionado e sem saída, o prefeito já estuda declarar o “estado de emergência” do córrego.
Mas este não é o único caso. A Prefeitura sofre duas execuções judiciais por ainda não ter construído o seu aterro sanitário, contra o quê corre multa diária de três salários mínimos desde 2004. Situação semelhante ocorre com o tratamento do esgoto: a Prefeitura está condenada judicialmente a estender o serviço a toda a cidade, bem como a realizá-lo também no Pouso Alegre, Vila Ribeiro e distrito de Potunduva.
Tudo situação que vem de longa data, alertada pelo Ministério Público diversas vezes e cobrada pela imprensa há anos. E sabe quanto é que ficou no caixa do Município para ser destinado a essas obras? Nada. O orçamento municipal deste ano, embora na casa dos R$ 170 milhões, está “engessado”, segundo o atual prefeito (os recursos estariam todos comprometidos). Em resumo: há tudo por fazer, mas faltam os meios necessários para se fazer.
Paralelo a isso ainda tem o problema gritante do “Cila Bauab” e o (não menos grave) do cemitério, onde praticamente já não há mais vagas para sepultamentos. Tudo urgente. Tudo para ontem. Tudo que depende de quantidades vultosas de recursos. E tudo sem dinheiro disponível, exceção feita ao “Cila”. Porém, como sempre há um espinho de reserva para cada flor, a obra do “Cila” deve ser acompanhada da obra no Córrego dos Pires. Caso contrário, é asfaltar o “Cila” e, na primeira chuva, arrebentar de vez o córrego.
Lá se vão setenta e poucos dias depois da posse e o prefeito Osvaldo começa a tomar consciência do mar de encrencas que tem para enfrentar. É nessa hora que se deve refletir se foram verdadeiros os sorrisos e tapinhas nas costas durante a “cordial” e cavalheiresca transição de Poder. Mais ainda: se valeu a pena ter feito até elogios ao grupo que estava deixando a Prefeitura. Na verdade, quem vê cara não enxerga as intenções.