| Dayran Carvalho
Presidente do PT de Jaú, Augusto Peres informa que o departamento
jurídico do partido está estudando punições
ao vereador Ademar Pereira da Silva (PT), o Dema. “Estamos insatisfeitos
com as atuações que ele vem tendo na Câmara”,
diz. Segundo Peres, há, inclusive, “denúncias
de que o vereador tenha se beneficiado com a indicação
de familiares para cargos públicos”.
“As medidas cabíveis serão tomadas muito em breve.
Ele está desrespeitando resoluções partidárias”,
informa Peres. “Estamos analisando o estatuto. Ele irá
receber o que estiver previsto nas normas, que vai desde advertência
à expulsão”, completa. De acordo com o presidente,
“inúmeros filiados e membros do Diretório”,
composto por 25 pessoas, têm se queixado das posturas do vereador
petista.
O presidente do PT diz ainda que o possível descumprimento
das resoluções do partido por parte do vereador Dema
vem desde a eleição para a presidência da Câmara
Municipal, no dia 1º de janeiro, ocasião em que o vereador
votou favorável a Paulo de Tarso (PV) para presidente, que
era candidato da situação. Outro episódio que
incomodou os petistas foi a votação favorável
de Dema à aprovação de verba no valor de R$ 150
mil para o Instituto Circênico, em regime de urgência,
destinada à realização do carnaval. “Seu
posicionamento contrário às diretrizes do partido é
público, é notório. Basta assistir a uma sessão
da Câmara para constatar”, ressalta Peres.
Quando questionado sobre qual postura o partido espera do vereador,
Peres é incisivo ao dizer: “A postura que Kakai [Carlos
Alexandre Ramos, PT] vem assumindo”. Segundo ele, Dema conhece
bem qual é o papel do vereador do PT e deveria agir a contento.
“Ele é um filiado antigo e conhece nossas cartilhas;
sabe bem qual é o papel enquanto governo e oposição”,
frisa.
O presidente esclarece que é oposição à
administração, não à população.
“É claro que votaremos a favor de projetos que são
benéficos à cidade. No entanto, quando o partido julgar
que não é o caso, o vereador tem que representá-lo”,
explica.
Para Peres, quando um vereador se elege pelo partido tem que seguir
as diretrizes partidárias. “Não existe este negócio
de ‘eu vou seguir minha cabeça’”, fala. Ele
acredita que não existe candidato independente, pois cada um
é candidato por um partido. “A partir do momento que
você se filia a um partido, ele deve representar sua posição
política”, explica. Quanto a isso, Peres é enfático:
“Nos parece que o Ademar aderiu à situação.
E isso não é correto eticamente, nem moralmente e nem
politicamente”.
O PT foi fundado em Jaú há 19 anos e possui mais de
500 filiados.
“Nem
situação, nem oposição e nem garoto de
recado.
Sou independente” Dema, em resposta ao
presidente do PT, Augusto Peres
“Não sou oposição e nem situação.
Sou independente”, afirma o vereador Ademar Pereira da Silva
(PT), o Dema, em resposta ao presidente petista Peres. Ele diz que
vai continuar votando no que acha justo para o município.
“Trabalho para a cidade e minha postura é de vereador
eleito, não de candidato, para ficar me preocupando com entraves
políticos”, diz.
Dema vai além e informa que não vai se prestar a ser
“garoto de recado” entre situação e oposição,
e enfatiza que está votando de acordo com as resoluções
do PT Estadual e Nacional. “Não vou me sujeitar à
imposição de quem quer me prejudicar”, frisa ele,
ao fazer menção à presidência do PT de
Jaú.
Dema também faz questão de deixar claro que é
oposição, sim, mas dentro do PT de Jaú. “Quero
que fique clara minha posição em relação
ao presidente do partido. Dentro do PT sou oposição
a Augusto Peres”, ressalta. Segundo ele, o presidente não
está dirigindo o partido com isenção. “Não
foi imparcial na campanha passada. No caso do horário político
gratuito veiculado na televisão, ele priorizou alguns vereadores
em detrimento de outros. Eu fui um dos prejudicados”, fala.
O vereador também se diz vítima de perseguição
política. “O partido vem me perseguindo há tempos,
mas também estou me resguardando. Estou tomando as medidas
políticas cabíveis”, conta. Ele é vereador
pelo segundo mandato e está no PT desde sua fundação
em Jaú, em 1980.
Quanto às acusações de que seus familiares estariam
sendo beneficiados com cargos públicos, ele diz que é
“jogo sujo”. Segundo Dema, sua esposa trabalha como concursada
no setor administrativo da Prefeitura e seu irmão, o advogado
Pedro Paulo da Silva, passou a integrar a Secretaria dos Negócios
Jurídicos “por seus próprios méritos”.
“Eles tentam passar a situação distorcida. Isso
é manipulação”, afirma o vereador, visivelmente
contrariado.
Dema alega não entender o porquê do PT assumir postura
de oposição frente ao governo municipal, pois, segundo
ele, há várias cidades em que PT e PV andam juntos.
Para solucionar o impasse, o vereador sugere que seja realizado um
Encontro Municipal entre todos os filiados, para que a tendência
política do partido seja discutida de maneira ampla e democrática.
“É o conjunto de filiados que tem que falar pelo partido,
e não as decisões serem tomadas por meia dúzia
de pessoas. Quando o posicionamento oficial do PT for decidido desta
forma, eu seguirei”, completa Dema. O vereador diz que já
fez essa sugestão para a presidência do partido, mas
ela foi ignorada.