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Será que vira?
por: Hailton Medeiros
Nada é tão efêmero quanto a política. Quando acabou a apuração e foram conhecidos os eleitos para a Câmara na última eleição, ficou a impressão de que o prefeito Osvaldo teria minoria entre os vereadores. Seriam os três do PV e um do PTB contra dois do PSDB, dois do DEM, dois do PT e um do PP – 7 a 4 para a oposição.
O barco correu, as conversas foram acontecendo e logo se percebeu que a conta não seria bem essa. Rapidinho a cidade começou a ouvir que ao menos um tucano e um petista já tinham confirmado apoio ao governo do PV. Àquela altura, os números haviam se convertido em positivos para o governo, num apertado 6 a 5.
Mais um tiquinho de tempo e veio a eleição para a presidência da Câmara Municipal. As conversações tornaram-se mais intensas (e nervosas), até que foi batido o martelo: o candidato governista teria o voto de 10 dos 11 vereadores da Casa. Quase unanimidade. Virada de jogo que deixou a oposição quase aniquilada totalmente.
Pois “quase”, em política, não tem o mesmo significado que aparece no dicionário. Tanto que bastaram as primeiras movimentações políticas para o quadro dar sinais de que pode mudar novamente.
A filiação-surpresa da 1ª dama Caroline ao DEM desagradou ao presidente Chaves e, publicamente, ao menos a um dos dois vereadores do partido. Já foi falado em “debandada geral” – embora poucos acreditem. Agora é a vez do PT, insatisfeitíssimo com a atuação do vereador Dema, ameaçado de expulsão.
Kakai tem empunhado sozinho a bandeira da oposição na Câmara. Vez ou outra conta com a solidariedade do tucano Tito Coló. Agora, com o esforço que os petistas já devem estar fazendo nos bastidores, ouve-se dizer que poderá engrossar a bancada com um ou talvez dois outros vereadores. E já se fala numa ou até duas debandadas dentro do grupo governista, onde estaria existindo um foco de descontentamento.
Ninguém seria tolo em afirmar que as amarrações do PV e PTB com partidos politicamente antagônicos como PSDB, DEM e PP foram ‘para sempre’, nem tampouco seria infantil a ponto de achar que a quietude do outro lado é sinal de que todo mundo está feliz com esta situação. Basta afundar a cabeça abaixo do espelho d’água para notar a enorme diferença entre o que se vê de fora e o que ocorre dentro do lago.
Enfim, são coisas da política que muda a todo momento e onde nada é definitivo o tempo todo. O bom, entretanto, é que quase tudo é sinalizado antes, a tempo de acudir. Se bem que, em política, “quase” não tem o mesmo significado que no dicionário: quando viu, já foi.