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Muito além de uma simples filiação

por: Hailton Medeiros

A filiação da 1ª dama Caroline Franceschi ao DEM neste domingo tem mais significado do que se pode imaginar. Nos meios políticos, soou como um recado claro de que o alto comando demista está fechado com a administração Franceschi em todos os aspectos. Para o que der e vier. Entenda-se por isso, se necessário, até mesmo a troca dos atuais dirigentes locais e a garantia de legendas para a disputa das eleições para deputado em 2010.
Caroline e Osvaldo, o marido prefeito do PV, negam, é evidente. Não dizem que podem assumir o controle do DEM, nem tampouco que Caroline possa ser candidata a deputada estadual. Mas em troca de quê o todo-poderoso do DEM, o prefeito paulistano Gilberto Kassab em pessoa, convidaria Caroline para integrar o partido? Ao que se sabe, ele próprio tocou no telefone de Osvaldo domingo cedo, em meio à feijoada carnavalesca no Caiçara, pedindo que fosse a Araraquara acompanhado da mulher.
Lá chegando, na presença de líderes políticos regionais, Kassab apresentou a ficha de filiação ao DEM abonada por ele e pediu que ela assinasse. Deferência dessas só se faz quando há altos interesses políticos em jogo. Kassab, braço direito do governador Serra do PSDB, e revelação como articulador político, percebeu os oito anos de submissão do ex-PFL ao tucanato local, e certamente quer virar o jogo.
Mas e o Hamilton, presidente do DEM de Jaú, como fica? A essa altura do campeonato, o pecado político dele é ser primo do ex-prefeito Sanzovo, que deve lançar-se candidato a deputado estadual pelo PSDB. Por mais que Hamilton se esforce para afirmar que o DEM é independente, será que os dirigentes estaduais do partido acreditam que ele deixará de apoiar a eventual candidatura do primo? Talvez não.
O gesto de Kassab também parece ter sido uma resposta às declarações do presidente tucano Antônio Serra, publicadas por este jornal na sexta-feira. Ao entregar um ‘acordão’ do PV com o PSDB e o DEM, sugeriu que o grupo de Sanzovo continua mandando na política jauense mesmo depois de ter sido massacrado nas urnas em outubro. Ao mesmo tempo, deu a entender que certas ações do novo governo poderão ser “punidas” com a debandada dos quatro vereadores tucanos e demistas da base política de Osvaldo na Câmara. Entre estas ações estariam questões polêmicas, como a votação das contas rejeitadas de Sanzovo e o fim dos privilégios de alguns figurões da cidade, com as mudanças pretendidas no Plano Diretor.
Se até o fim-de-semana os ex-inquilinos da Prefeitura é que riam das saias justas que Serra vestiu no PV de Osvaldo, pelo menos por ora as risadas mudaram de lado.