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O jogo só começou

por: Hailton Medeiros

No final de 2006, quando da polêmica aprovação do Plano Diretor pelo rolo compressor de vereadores que davam sustentação política ao prefeito Sanzovo, nem todas as pessoas entendiam o quanto aquele documento estava sendo prejudicial aos interesses do Município. Em 9 de março de 2007, quando este jornal estampou em manchete “o tamanho do escândalo” do Plano Diretor denunciado pelo Ministério Público Federal, com informações exclusivas e reveladoras, a ficha começou a cair.
Agora, sob nova administração, a cidade tem a certeza de que só poderá seguir em frente se houver uma completa revisão do Plano Diretor. Um dos dispositivos mais perniciosos detectados de imediato foi o que impede a abertura de novos loteamentos em Jaú, antes que 90% dos anteriores estejam comercializados – situação que criou uma espécie de “reserva de mercado imobiliário” para os proprietários dessas áreas de terra.
Reunião na Prefeitura, semana passada, concluiu que “é urgentíssimo” revogar de imediato pelo menos este item (segundo expressão usada pelo próprio prefeito Osvaldo) para se conseguir terra para construção de casas populares, por exemplo. Nesta segunda-feira, depois de ter visitado o Cemitério Municipal no fim-de-semana e dimensionar a urgente necessidade de espaço para novos sepultamentos, o prefeito informou que, de novo, só conseguirá terra se mudar o Plano Diretor.
Recentemente, o vereador Kakai estimou que o preço de um terreno padrão em Jaú custa, em média, 30% mais que em qualquer outra localidade do mesmo porte. A razão, segundo ele, é óbvia: com o impedimento legal para a abertura de novos loteamentos, quem tem terra para vender pede por ela o preço que quer. Em resumo: os entraves causados pelo suspeito Plano Diretor tornaram-se mais evidentes que nunca.
Mas não é só isso. Tem ainda o caso do Saemja e o mistério que envolve sua atual condição técnica, econômica e financeira. Antes a menina dos olhos da administração municipal, nos últimos oito anos o Saemja perdeu a capacidade de investimento, não renovou frota nem equipamentos e chegou a registrar déficits assustadores. O que aconteceu por lá? Muito se ouve falar, inclusive de coisas escabrosas, mas nunca se provou efetivamente nada. Pois chegou a hora.
Na sessão de ontem da Câmara o líder do prefeito, vereador Fernando Frederico, confirmou a disposição do governo de promover completa auditoria no Saemja – e onde mais for preciso. Foi taxativo ao afirmar que “há coragem de mexer nisso”. Mais ainda, garantiu que não será possível “esquecer o que aconteceu na administração anterior”, até porque as contas correspondentes aos seus últimos anos, algumas já rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), ainda serão submetidas à Câmara.
Pelo menos o que evidencia o jogo de palavras, começou a ser mostrada a cara nova da administração municipal em Jaú. Nada de fato foi feito ainda, é verdade, mas os pares do governo perceberam que não terão sossego enquanto não tocarem nas bandeiras defendidas na última eleição. Elas passam pelo Plano Diretor, Saemja, enxugamento da máquina administrativa e muito mais. Mesmo para quem está com todo o gás, é prudente saber que o jogo só começou. É que o estádio está lotado de espectadores de olhos bem arregalados.