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Uma nuvem negra a mais
por: Hailton Medeiros
Fomos salvos pelo gongo. Na última hora, foi o Tribunal de Contas do Estado (TCE) quem mandou suspender a licitação do aterro sanitário de Jaú. Sem tempo hábil para corrigir eventuais falhas no edital de licitação até o final do ano, qualquer decisão sobre a obra do aterro e o gerenciamento do lixo da cidade ficará para o próximo governo municipal. Um alívio e tanto.
Depois de oito anos de desculpas e nenhuma disposição para cumprir a determinação judicial de dar fim ao lixão e construir o aterro, foi no apagar das luzes que o atual governo inventou de fazer a licitação para a obra. E passou das medidas ao propor a privatização dos serviços de implantação, manutenção e operação do aterro, chamado no edital de “central de disposição de resíduos sólidos” do município. Algo estimado em R$ 18 milhões.
A licitação a toque de caixa contribuiu para pôr mais uma nuvem negra no céu da atual administração. Ela se juntou às demais que já estavam lá, representadas pelo sucateamento da frota municipal; pela precariedade financeira do Saemja; pelo recapeamento desnecessário de ruas centrais, em detrimento das vias capengas da periferia; pelo inchaço da máquina administrativa com a contratação de parentes e de colaboradores políticos para cargos comissionados; pela falta de conclusão do tratamento do esgoto e de asfalto no “Cila”; sem falar do escandaloso Plano Diretor.
A licitação do aterro conseguiu uma unanimidade ao contrariar desde a imprensa até os políticos de todas as correntes partidárias, técnicos e o próprio Ministério Público. Antes da impugnação reclamada e obtida por uma empresa participante da licitação, outra denúncia apontando irregularidades no edital já havia sido mandada ao TCE, bem como o ajuizamento de uma ação popular no Fórum e o envio de ofício de dois promotores de Justiça pedindo explicações do prefeito para a pretendida privatização do aterro. Todos gritaram e ajudaram a colocar fim na malfadada licitação, que poderá (e deverá) ser melhor e profundamente estudada pela nova administração.
O atual governo podia ter ficado sem esta. A menos que pense como a onça, para quem uma pinta a mais não faz diferença.